Neste ano, o Brasil foi sede da vigésima edição do maior evento futebolístico dos continentes, a Copa do Mundo. Anfitrião pela segunda vez, o Brasil sediou o campeonato que aconteceu em 12 cidades-sede. O evento iniciou-se no dia 12 de junho e teve seu encerramento em 13 de julho, totalizando 171 gols em 64 jogos.
Organizado pela Federação Internacional de Futebol (FIFA), a Copa do Mundo de 2014 teve a Alemanha como campeã pela quarta vez, sendo a primeira seleção europeia a conquistar o título no continente americano. Nessa Copa ocorreu também pela primeira vez a utilização da tecnologia goal-line (dispositivo usado em estádios para saber se uma bola ultrapassou ou não a linha de fundo entre os postes da baliza), na partida entre França e Honduras, registrando o primeiro gol oficial a utilizar o sistema.
De acordo com estatísticas da FIFA, esta Copa foi a mais poluente da história, produzindo cerca de 2,72 milhões de toneladas de dióxido de carbono. Entretanto, a mais sustentável, com estádios construídos ou modernizados por meio de tecnologias que aproveitam a água da chuva e a luz solar, produzindo fontes renováveis de energia e iluminação de baixo consumo energético, entre outras.
FORA DOS ESTÁDIOS
Em 2014, os cidadãos brasileiros voltaram às ruas de 14 cidades do país participando de passeatas contra a Copa do Mundo. Com o lema “Não vai ter Copa”, as manifestações objetivavam impedir a realização dos jogos, criar tumulto suficiente para preocupar as autoridades e chamar a atenção da imprensa internacional.
| Integrante do Black Bloc chuta estabelecimento comercial Daniel Teixeira/ESTADÃO |
O grupo organizado intitulado Black Blocs participou das passeatas formando a linha de frente do protesto, indicando o roteiro que deveria ser seguido, e afirmando que só atacariam se fossem agredidos pelos policiais. No decorrer do protesto, lixeiras foram quebradas e vidros de agências bancárias, apedrejados. "A gente não ataca a pessoa, o trabalhador, o manifestante. Se é para quebrar alguma coisa, é a propriedade do Estado que não nos representa, ou só representa uma parcela pequena da população e oprime a maior parte. A gente quebra um banco, que não nos representa também", declarou um ativista do grupo, de 20 anos, que pediu para não ser identificado.
Os manifestantes evitam entrevistas, pois não acreditam nos grupos que controlam a "grande mídia" e temem que suas declarações sejam distorcidas. Quando falam, mantêm o anonimato e evitam dar declarações pessoais que possam ajudar a identificá-los. Seus perfis nas redes sociais são anônimos, mostrando fotos de mascarados como a imagem de Guy Fawkes em "V, de Vingança", e nomes que fazem alusão a revolucionários ou a seus apelidos.
A pesquisadora Esther Solano, professora de relações internacionais da Unifesp (Universidade Federal do Estado de São Paulo), afirma que o Black Bloc é uma forma de protesto. "O denominador comum é o uso da violência como forma de expressão. Eles notaram que o governo não os escuta. E que a única forma de se fazer ouvir é partindo para uma ação mais dura”, declara a pesquisadora.
Movimentos sociais também apoiam o protesto. "Vi muitas caras novas nesse protesto, pessoas que não estavam na rua em junho do ano passado. Mas os grupos sociais e políticos mais estruturados e tradicionais ainda estão longe do movimento", afirma Esther. "Em geral, não são pessoas das periferias mais distantes, mas sim uma classe média que tem contato com os problemas do Brasil: as escolas públicas, filas em hospitais".
A cobrança por educação e saúde "padrão Fifa" surgiu nas manifestações de junho de 2013, com os pedidos para reduzir tarifas de transporte. E voltaram à tona, por causa do investimento público na organização da Copa.
Os estádios construídos para receber os jogos ultrapassaram o orçamento estabelecido, além de atrasos nas obras e acidentes. O diretor-executivo do Palmeiras, José Carlos Brunoro, criticou a falta de versatilidade dos estádios brasileiros feitos para a Copa. De acordo com o diretor, não foram construídas arenas multiuso no Brasil. Durante bate-papo em Taubaté, no interior de São Paulo, o dirigente afirmou que as estruturas feitas para receber o Mundial estão "erradas".
O pesquisador Wagner Iglecias, doutor em Sociologia e professor do Curso de Graduação em Gestão de Políticas Públicas e do Programa de Pós-Graduação em Integração da América Latina da USP, afirma que "as pessoas querem serviços públicos de qualidade, e nisso vejo muitas semelhanças com os protestos de junho de 2013. São pessoas reivindicando gastos públicos mais responsáveis".
O Brasil testemunhou o Mineiratzen, em português Mineiraço, a maior derrota da seleção em Copas do Mundo. O 7x1 da Alemanha em cima do Brasil eliminou a seleção Canarinho na semifinal da Copa do Mundo de 2014.
Os erros e problemas que resultaram na eliminação da seleção brasileira são analisados sob alguns aspectos táticos e emocionais. Desfalque na equipe, a pressão de não perder em casa e um time engessado são os possíveis motivos para o resultado da atuação da seleção brasileira nesta copa.
A final da Copa do Mundo FIFA de 2014 foi disputada entre Alemanha e Argentina, com a conquista do título pela quarta vez pela seleção alemã. Este foi o evento esportivo mais popular dos dez anos de história da rede social Facebook. 88 milhões de pessoas em todo o mundo (cerca de 10% destes usuários brasileiros) realizaram mais de 280 milhões de ações na rede. Isso inclui publicação de textos, fotos e vídeos e o uso do botão "Curtir".
FORA DO BRASIL
A imprensa internacional percebeu a Copa do Mundo de 2014 como um evento único, que no final trouxe o Brasil de volta à realidade. Um artigo publicado no periódico americano “The Wall Street Journal” destaca que o Brasil está vivendo o período de “ressaca”, diante da grandiosidade do evento que deixa consequências na estrutura socioeconômica do país.
O economista responsável por acompanhar o país em Nova York, Marcelo Salomon, afirma que “durante a Copa o Brasil estava numa ‘ilha da fantasia’, mas o choque de realidade virá”. A previsão inicial do crescimento do PIB do país neste ano era de 1,7%, contudo Salomon espera uma expansão de apenas 0,7%.
“O Brasil está passando por provações, incluindo o desafio de uma economia moribunda e eleições que potencialmente provocarão divisões em outubro. O país precisa se preparar para os Jogos Olímpicos de 2016 no Rio de Janeiro, outro evento que os organizadores dizem que está atrasado e que mais uma vez provoca críticas sobre as prioridades de gastos do país”, cita o The Wall Street Journal. Conclui afirmando que “alguns brasileiros estão retornando as questões mais amplas sobre se realmente o preço da Copa valeu a pena”.
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| A preocupação do brasileiro em relação à posição do Brasil |

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